Everson Barbosa

Um jovem com propósitos

Deus, o universo e minha aula

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Estou enrolando esse post a um bom tempo, e creio que chegou a hora de comentar sobre ele.

Cerca de um mês tive uma oportunidade incrível na aula de Metodologia da Pesquisa de falar abertamente de Deus.

Vamos partir do começo…

Essa matéria do meu curso (Comunicação SOcial – Hab. em Publicidade e Propaganda) tem por objetivo instigar os alunos a pesquisarem e aplicar métodos de pesquisa. O primeiro trabalho que tive foi justamente sobre o início das pesquisas, e meu grupo ganhou um tema curioso: Mistérios da ciência. Ou seja, tudo aquilo que a ciência ainda não pode explicar.

Como o trabalho de cada integrante do grupo não precisava seguir uma linha de raciocínio igual, achei uma oportunidade única pra falar de Deus, como algo que a ciência ainda não conseguiu explicar. Ótimo tema, porém como começar tudo isso? Que material pesquisar? Como passar essa apresentação para os colegas sem cair no crentês?

Como princípio, busquei algo de interesse geral da turma, e por isso me propus a pesquisar sobre cientistas, teoria do universo, física quantica…coisas tão distantes do meu mundo publicitário, mas muito proximas daquilo que creio e vivo.

Como resultado, apresentei um trabalho coeso, sem muitas divagações, mas com argumentos, principalmente baseado na refutação do livro Deus, um delírio de Richard Dawkins, que é um best seller internacional, e considerado como o grande trunfo atéista moderno. Mas é triste ler o livro e perceber um ateísmo fundamentalista, tão retógrado quanto a religião criticada pelo autor. Li tanto esse livro, quanto O delírio de Dawkins, que é uma resposta dos professores de Oxford (mesma universidade de Dawkins) ao autor ateu (no Dliver Blog tem uma interessante entrevista com o autor Alister McGrath) . Foi interessante também usar frases e o próprio testemunho de Cs Lewis, como um pensador inteligente e cristão.

É óbvio que falar sobre um tema assim não é fácil. Meu conhecimento nessa área ainda é muito superficial, porém meu maior receio não estava em apresentar corretamente, mas como os colegas e a professora iam se comportar com um tema assim. A primeira reação, logo ao abrir minha apresentação onde estava escrito Deus e a ciência, foi ver algumas caras de desaprovação, risadinhas, e ironias do tipo que estamos acostumados, porém sem muita intimidação encarei a “platéia”. Qual foi minha surpresa em notar a atenção deles e ver ali na frente não mais um crente chato, mas alguém que utiliza argumentos convincentes e inteligentes (não estou me achando!) pra falar de um tema tão complicado. Sai muito feliz da aula, por ver a aprovação da turma e dos próprios comentários da professora, que disse que a faculdade é um lugar muito dificil para se falar desse tema, por gerar muitos preconceitos e opiniões mal formadas. E o mais legal foi que deu o sinal para o intervalo e eu consegui falar um pouco mais (e quem já apresentou algo entre os periodos sabe como é dificil!). Sai naquela noite muito feliz por poder ter feito algo que sempre desejei fazer como universitário.

Por isso tenho plena certeza, e digo, se você busca ser um cristão relevante, alguém que seja mais do que um papagaio gospel, mas inteligente o suficiente pra argumentar e questionar, estude!!! Corra atrás, saiba que hoje as pessoas tem interesse de ver esse lado do cristianismo, não o cristianismo fundamentalista ou excentrico, mas aquele cristianismo saúdavel, puro e simples. Não sou um expert em teologia, e nem busco ser um pensador cristão, mas sei que se tenho a oportunidade de conhecer gente inteligente e que pensa além das 4 paredes da igreja e constroi relações entre o cristianismo e a cultura, sociedade e o comportamento que tanto nos influencia, tenho certeza que têm coisas boas para passar pro meu futuro.

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Se você sentiu interesse em ler o que apresentei no trabalho, clique abaixo, pois colei o resumo que fiz para entregar. A professora exigiu que tivesse relação com outros trabalhos apresentados por issso tem citações de outros textos.

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A ciência trabalha com fatos concretos. Porém neste seminário tivemos a oportunidade de entender que deve-se buscar um “algo mais” na ciência, que talvez o subjetivo seja um fator importante para o estudo. Neste trabalho, pesquisei com o meu grupo sobre os mistérios da ciência, dentre os diversos assuntos que poderia retratar escolhi um que não apenas me intrigasse, nem que gerasse questionamentos dentro de mim, mas que servisse como reflexão para entender que a ciência não deve ser entendida como a única explicação para duvidas, principalmente quando elas estão relacionadas a dúvidas existenciais.

Falar sobre Deus no meio acadêmico ainda é visto com preconceito por muitos, e me dispus a retratar aquilo que penso e vivencio da melhor forma possível e que abrangesse ao interesse de todos da turma, por isso pensei em refletir sobre o questionamento entre a ciência e Deus. Tais conceitos se contradizem? É possível pensar sobre um e dar valor ao outro? E o que dizer de um médico, cientista, biólogo ou qualquer profissão onde tem a ciência como padrão de estudo, é possível conciliar tais profissões com a crença em Deus?

Na busca a respostas é justificável recorrer a Deus, esse foi o argumento principal que trouxe, talvez possamos ter as mais diversas dúvidas respondidas pela ciência mas ainda não conseguimos comprender questões como: quem somos? Para onde vamos depois daqui? Porque estamos aqui? Qual a razão do universo ser dessa maneira? Se de uma explosão resultou o que somos hoje, de onde veio essa explosão? Não é de se admirar que muitos cientistas já tem olhado para essas perguntas e buscado encontrar soluções para elas no conceito de um ser superior, um Deus capaz de realizar atos perfeitos pela humanidade. Talvez o maior exemplo desses cientistas seja Francis Collins, diretor do projeto genoma e que abertamente crê em Deus, mostrando que a ciência e a fé não são inconpatíveis mas sim complementares.

Além de tais questões existenciais, pensar sobre Deus consequentemente também leva a questões morais. Para muitos a noção de Deus já deveria ser extinta, que por nos tratarmos de uma sociedade evoluída crer em um ser superior deixaria de ser uma prioridade do homem, tal teoria não possui fundamento na prática, isso devido a que mesmo com toda nossa evolução ainda há um crescente avanço em uma busca por um sentido, que muitos, assim como eu, acreditam encontrar em Deus. Durante o seminário pude notar isso não somente em meu trabalho, mas principalmente no grupo que buscou mostrar o novo paradigma da comunicação, que não se volta apenas ao lucro e a venda de um produto ou serviço, mas que busca atingir através de simbolismos éticos, morais e até espirituais o consumidor. O autor pesquisado pelos colegas em seu texto “A procura de um novo paradigma” sinaliza para essa nova integração da sociedade de consumo com um discurso mais humanizador e até mesmo teológico quando ele diz que deve-se “recuperar, quem sabe, até as velharias como a teologia. Não a teologia enquanto um discurso voltado somente para a comunidade dos crentes (um discurso que pressupõe a fé dos interlocutores) mas enquanto um discurso sobre as esperanças humanas a partir das vítimas do mundo”. Nossa sociedade tem tomado um rumo para uma desesperança, porém quando vemos a comunicação tomando o partido de um renovoe a esperança não podemos sentir um toque de divino nisso? Durante meu trabalho pesquisei sobre o escritor C.S Lewis e uma de suas melhores frases é com relação a esperança: “Se eu descubro em mim um desejo que nenhuma experiência no mundo pode satisfazer, a explicação mais provável é que fui criado para outro mundo”, talvez a sociedade rumando para a construção de um novo mundo, por mais utópico que possa parecer, possa ser o reflexo de uma busca por algo superior.

Além disso, outro trabalho que posso relacionar ao meu e também chamou minha atenção, foi a apresentação do texto Exclusão fora de foco, em que existe uma crítica com relação aquelas pessoas que se aproveitam de problemas sociais para se promover, que foi muito bem representada no filme Quanto vale ou é por quilo? e me fez refletir sobre as pessoas que se apropriam das noções de Deus para também o proveito próprio, e que sem dúvida são as responsáveis pela criação de uma imagem deturpada e preconceituosa na mente das pessoas. Só que se analisarmos não vemos erros e pessoas que se aproveitam em todos os setores de nossa sociedade?

A espiritualidade é como uma água, mas infelizmente ela se torna turva a medida que corre entre os humanos, porém é necessário, como provado por esse seminário refletir não apenas na ciência, mas pensar e tornar justificável a noção de um Deus, que não é apenas um velho barbudo sentado em algum lugar do universo, mas que nos oferece sentido de vida, existência e principalmente esperança de um mundo melhor.

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Written by eversonbarbosa

maio 13, 2008 às 12:38 am

3 Respostas

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  1. Muito bom, Éverson! É de um testemunho inteligente que o mundo precisa. E a universidade é o melhor lugar! Abraço!

    Daniel

    maio 13, 2008 at 10:00 pm

  2. Cara, é isso ae PASSION mano, por Deus, por sua obra, e é taum bom ver cristãos inteligente mostrando que não somos massa de manobra, q naum somos igorantes, q somos pessoas inteligentes e q não são alienadas as coisas…

    Muito bom teu trabalho cara

    Q ele possa render frutos pro reino de Deus mano…

    Paulo Daltrozo

    maio 14, 2008 at 2:18 am

  3. Olá Everson!
    Muito bom todo o post… Me identifiquei muito!

    Bom eu este semestre termino a minha facull (Administração com habilitação em Administração Hospitalar) e sei bem como é dificil falar de Cristo dessa maneira, lá na frente da sala…
    Quando começamos a falar em Deus (e não estou falando de pregação, mas uma simples conversa) somos zoados, tirados de tempo!

    Também tive algumas oportunidades de falar de Cristo no momento de apresentar alguns trabalhos:
    *Logo no começo da facul em 2004, teve um debate de ética e falei sobre Davi que teve a oportunidade de matar Saul e não o fez, por reconhece-lo como autoridade, mesmo ele estando errado e comparei essa história com a área empresarial!
    *Teve um sobre inteligência emocional em que usei Cristo como exemplo em tudo – Augusto Cury que o diga… rsrs
    *Fora todas as conclusões de seminários, pois em todas eu digo um versículo que se aplica ao tema do trabalho.
    *E agora fazendo a monografia (o tema que escolhi foi bioética e os cômites de ética hospitalar), eu vou terminar a apresentação na banca com um versículo que diz que tudo o que está em oculto será descoberto (fazendo menção á algumas barbaries que ocorrem num hospital)

    Mas já paguei alguns micos por causa da nossa linguagem crentês… Várias vezes ao terminar de fazer a conclusão em um seminário eu disse “ÁMEM turma, obrigado pela atenção”… rsrs… imagina as gargalhadas!

    Mas a melhor sensação é estar terminando a facull e saber que quem te conheceu te chama de pastora (como diz vc –> não estou me achando!), de mulher bíblia… rsrs… Pq tudo isso é um reconhecimento de que somos e podemos ser mais do que simples cristãos que querem enfiar a Bíblia guela a baixo nas pessoas… Mas somos cristãos, que levam ás pessoas á refletir e entender que a Palavra de Deus se aplica á tudo, á todas as situações! Afinal Deus é um ser pleno, completo, inteiro…

    Bom… Não dá pra contar 4 anos de experiências na facull aqui neste comentário (e já estou com vergonha do tamanho dele)… Então vou parando por aqui e dizendo –> Vai nessa tua força, continue sendo luz! Com sua inteligência e criatividade será arma de Deus para desfazer essas mentes cauterizadas!
    Fik na Paz! Abraço!

    Micheli Cristini

    maio 17, 2008 at 1:27 am


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